Cubanos começam a fazer filas para comprarem seu primeiro celular
Centenas de pessoas aguardam em lojas das estatais telefônicas em Havana.
Nesta segunda (14), governo Raúl Castro deu início a vendas para o público em geral.
A telefonia celular deixou nesta segunda-feira (14) de ser um privilégio reservado a empresas e estrangeiros em Cuba, uma novidade que os cubanos receberam com filas em frente aos estabelecimentos da companhia telefônica estatal (ETECSA) habilitados para oferecer o serviço.
Desde o começo da manhã dezenas de cubanos aguardaram a sua hora de habilitar uma linha de telefonia celular e até para comprar o aparelho. Assim que cruzavam a entrada do escritório da empresa telefônica, os moradores da ilha ligavam para seus parentes para informar o novo número.
A medida era esperada desde 28 de março, quando a ETECSA informou em uma nota publicada no diário oficial Granma que a autorização estava dada e que a partir desta segunda seria possível adquirir linhas pré-pagas.
Também, é possível transferir para seu nome os serviços contratados por meio de estrangeiros, em um país onde, segundo dados da companhia, há aproximadamente 200 mil telefones celulares "em todas as condições".
Foi a primeira decisão divulgada publicamente desde que Raúl Castro assumiu o poder, em 24 de fevereiro, e já teve como conseqüência dezenas de contratos em um tempo recorde, embora seja possível habilitar apenas uma linha por pessoa.
Talvez pelo fato de que até 8 de junho para mudar a titularidade seja necessária a presença física do estrangeiro responsável pela linha, a maioria dos clientes da ETECSA se dedicaram hoje a conseguir sua própria linha, alguns com celulares próprios e outros comprando no estabelecimento.
Fontes da companhia que pediram o anonimato revelaram à Agência Efe que a empresa reforçou o pessoal "não só para o atendimento no trâmite, mas para dar explicações à população (e) evitar que formem filas à toa".
No interior dos escritórios, as responsáveis pelas vendas se esforçavam para tentar acabar com as filas descomunais com 60 pessoas, em média, próximos aos estabelecimentos.
"Por nós, tanto melhor que continue assim", disse à Efe Odalis, empregada da ETECSA em um escritório do bairro Vedado em Havana, ao contar que em duas horas havia habilitado 68 linhas.
Além dessa medida, a população está autorizada a adquirir bens de consumo como computadores, aparelhos de DVD, televisores e outros eletrodomésticos, e foi eliminada a impopular restrição que impedia os cubanos de se alojar nos hotéis da ilha.
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