Otan coloca guerra cibernética no mesmo nível de ameaça que ataque de mísseis
Segundo jornal, ataques recentes de piratas de computador preocupam a aliança militar.
EUA gastam US$ 6 bilhões na criação de sistemas de defesa.
A Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) – a aliança militar que reúne EUA e vários países da Europa – passou a considerar a guerra cibernética um perigo tão grande quanto o de um ataque com mísseis. A informação é de reportagem publicada nesta sexta-feira (7) no jornal britânico “The Guardian”.
De acordo com a publicação, o responsável pela defesa da organização contra ataques baseados em computadores, Suleyman Anil, declarou que “a luta cibernética está agora num nível de prioridade tão grande quanto nossas defesas contra mísseis estratégicos”.
“Nós temos visto cada vez mais ataques e não achamos que eles vão parar”, completou.
Entre as principais ameaças temidas pela Otan está o ciberterrorismo, onde são feitas tentativas de derrubar redes de comunicação on-line ou de usar a internet para atacar instituições oficiais. Segundo o ‘The Guardian’, apesar dos alertas sobre esse perigo datarem dos primórdios da internet, foi apenas nos últimos anos que o assunto passou a ser discutidos pelos governos ao redor do mundo.
Segundo Anil, alguns países também podem patrocinar ataques do tipo contra nações da Otan. “Existem países que não apenas estão melhorando suas capacidades defensivas como também seu potencial ofensivo, e isso traz uma nova dimensão para todo o assunto”, reflete.
A reportagem diz que o perigo da guerra cibernética ficou mais evidente após uma série de ataques recentes. No ano passado, um grupo de piratas de computador chamado Titan Rain – acredita-se que eram de origem chinesa – se infiltrou nos computadores do Pentágono e lançou ofensivas contra redes governamentais no Inglaterra, Alemanha, Austrália e Índia. Oficiais americanos acusaram o grupo de agir sob o comando do governo de Pequim.
Outro ataque teve como alvo a Estônia, que tem um dos governos mais informatizados do mundo. Inicialmente a operação foi creditada a hackers apoiados pelo governo russo. No entanto, até o momento apenas um adolescente estoniano foi preso por envolvimento com o acidente.
Para Kevin Poulsem, um ex-hacker que virou editor na prestigiada revista de tecnologia “Wired”, os políticos e a mídia estão exagerando a ameaça representada pela guerra cibernética.
Apesar da falta de confirmação da identidade de alguns ataques, a ameaça é considerada séria o suficiente pela Casa Branca para justificar gastos de US$ 6 bilhões de reais na criação de sistemas de defesa contra ataques eletrônicos.
Esses sistemas foram considerados por muitos críticos como ameaças potenciais às liberdades civis americanas. No entanto, autoridades ligadas à administração Bush disseram que eles são necessários como medida defensiva. O secretário de Segurança Doméstica americano, Michael Chertoff, declarou que “esta é uma área onde temos trabalho a fazer”.














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