domingo, 23 de março de 2008

Iraque pós-Saddam descobre YouTube e celulares multimídia

Chat em cibercafés e vídeos no celular viram febre entre jovens iraquianos.
Governo de Saddam proibia portáteis e monitorava e-mails.

Saddam Hussein não poderia estar mais errado quando supôs que os iraquianos não precisavam de telefone celular e internet para viver. Cinco anos após a invasão norte-americana que depôs o ditador, a sensação no Iraque são celulares com vídeos cômicos, fotos de atrizes e cibercafés sem censura.

"A internet é indispensável para nós", diz um vendedor de telefone celular em Bagdá, identificado apenas como Sajjad. "Eu faço download de músicas, fotos de atrizes e vídeos", acrescenta o rapaz de 25 anos, que admitiu transferir esses arquivos, com algumas modificações, para os celulares que vende.

"Meus clientes pedem muitas músicas, fotos e vídeos engraçados e bizarros que eu geralmente baixo do YouTube", diz Sajjad. "Alguns dos clientes não têm dinheiro para comprar créditos, então eles não podem telefonar. Mas seus aparelhos estão carregados de vídeos, músicas e fotos", completa.

Outro vendedor de telefone celular, Ali Adel, de 31 anos, diz que telefones celulares se tornaram um grande negócio desde que Saddam foi deposto na invasão norte-americana há cinco anos. "Celulares usados são os mais populares, e garantem a maior parte do nosso lucro", diz.


Era do cibercafé


Antes da invasão norte-americana, não existiam redes de telefonia celular no Iraque, e até mesmo telefones via satélite particulares eram proibidos. A partir de março de 2003 houve uma explosão, com o surgimento de três redes de telefonia celular e dezenas de provedores de internet.

"No antigo regime, havia apenas alguns cibercafés em hotéis", diz o proprietário do cibercafé Centre Baghdad, identificado apenas como Ali. "Todos eles eram monitorados e alguns bloqueavam certos sites", conta.


Segundo Ali, a maioria dos usuários de internet em seu cibercafé com 16 computadores são jovens entre 17 e 35 anos. "Eles usam Yahoo Messenger para conversar e enviar e-mail, mas alguns fazem atualização de antivírus e pesquisas para estudos". Ele diz que o maior movimento acontece entre 16h30 e 19h, mas a casa fica aberta até 22h.


Sem censura

O Iraque relembra os dias de censura durante o governo de Saddam. Os e-mails enviados eram interceptados por uma central que decidia se a mensagem poderia chegar ou não ao destinatário. Respostas a esses e-mails também eram censuradas, e poderiam demorar semanas para chegar - quando chegavam.

Hoje essas restrições não existem mais e milhões de iraquianos estão usando internet para bate-papo, pesquisas, encontros e navegação por sites de redes sociais como Facebook e Hi5 e portais de notícias.

"Eu vou a cibercafés toda sexta", diz um garoto de 20 anos que se identifica apenas como Bassam. "Gasto mais de duas horas na rede, usando Yahoo e MSN ou na rede social Hi5". Mas ele diz que parou de se comunicar com os parentes de outros países.

"Dezoito meses atrás, o irmão de um amigo meu foi seqüestrado por pessoas não-identificadas que o ouviram falando no microfone do computador (através do programa Skype) com seus parentes nos Estados Unidos. Eles aguardaram que ele saísse, seqüestraram-no e só o soltaram depois que o resgate foi pago."

Já o estudante Abdul Rahman Omar diz que visita o cibercafé todos os dias. "Eu gosto de conversar. Alguns amigos me indicaram o site 'Arab Chatr', e eu passo uma ou duas horas por dia lá."

O telefone celular não é usado só para conversas - o compartilhamento de vídeo é bastante popular. "Eu gosto de vídeos de dança-do-ventre", diz Bessam, estudante de 22 anos. "Eu compro e compartilho com meus amigos. Eles respondem com vídeos engraçados via Bluetooth", completa.

(Fonte)

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